(re)formulados.

Como um e um
são dois
Eu mais você
não somos tão exatos

 

Já fomos muito,
às vezes pouco
Jamais zerados,
inexatos

 

Na minha conta,
noves fora,
Sua raíz
me eleva até ao quadrado

 

Só não tem log
nem lógica
A tabuada
dos apaixonados.

menino.

Por mais que eu envelheça
E cresça
Me mostre
Apareça

Sigo sendo um menino
Envergonhado
Lutando e suando
Pra não parecer mimado

Tentando não ser
Assustado
E permanecer
Entusiasmado

Ainda que a vida
Pregue peças
Eu sigo firme
E com pressa

Mas sou um menino
Que ri quando pode
E que chora
Grita, explode

Por mais velho que seja
Eu temo e tremo
Nunca serei
Seguro ao extremo

você em mim.

Hoje bem cedo, me deparei com seus olhos. Foi na rua de casa, entre a calma da floricultura e a avenida em brasa, em uma senhora que me fitou com o olhar risonho.

Ainda outro dia, me deparei com seu sorriso. Foi na fila do supermercado, enquanto eu procurava aflito por um trocado, e o garoto que me ajudava ficou admirando de lado o meu improviso.

Teve uma noite também em que me deparei com seu cheiro. Foi de relance em um bar, aquele onde os caras insistem em ir só para reclamar, e eu toquei ombro com ombro alguma garota que saía do banheiro.

Semana retrasada, tropecei em seu caminhar. Foi na hora do almoço, enquanto eu decidia se mordia meu sanduíche ou ultrapassava outro moço, e dei de cara com uma menina que flutuava ao andar.

E, pra ser sincero, quase todo dia é assim: não sei se te vejo nos outros ou se, espelhado, sou eu que te vejo em mim.

culpa.

A culpa é minha, você sabe. O problema não é contigo, é comigo. E, convenhamos, isso iria acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde.

A culpa é minha, relaxa. Você não fez nada, eu que fiz tudo. Tentei de dar mundos e fundos, enquanto você sempre me fez feliz assim, de graça.

A culpa é minha, admita. Só fiz falar, prometer, procurar, remeter. Quis te deixar tranquila e querida, mas te deixei atada e aflita.

A culpa é minha. Não adianta conversar ou discutir o assunto. Afinal, eu te amo muito – e qualquer contra argumento me faria desistir e perder a linha.

tem dia.

Tem dia
Que por mais longo que seja
Traz alegria, euforia
Pede brinde com cerveja

 

Tem dia
Que parece promissor
Mas que murcha, adia
Da cerveja só deixa o amargor

 

Tem dia
Que embora comece chuvoso
Irradia
Se faz primoroso

 

Tem dia
Que começa perto da noite
E quando a coruja assobia
Eu choro aos montes

 

Tem dia
Que pode ser hoje ou depois
Em que a coluna arrepia
E lembra nós dois.

desde que você se foi.

Desde que você se foi
Eu só faço rir
O que me pede de gargalhar
É que se faço rir,
é rir pra não chorar

 

Desde que você se foi
Minha casa vive cheia
Só não ouço um pio
Porque ela anda cheia,
mas é cheia de vazio

 

Desde que você se foi
Meu peito vive em festa
Sabe festa surpresa?
Não convidaram ninguém,
e eu fiquei sozinho na mesa

 

Desde que você se foi
O céu ficou mais azul
As noites, no entanto,
andam nubladas:
Todo dia tem chuvas e trovoadas

 

Desde que você se foi
Eu mudei radicalmente
Mas no fundo, sigo o mesmo:
Sonhador e reticente,
com você sempre na mente.

um brinde.

Um brinde às noites
mal planejadas de sábado
aos encontros e desencontros
aos casais aos acasos

Um brinde ao taxista
que leva quem o chama
ignora os amassos
que mantém acesa a chama

Um brinde àquela cerveja
gelada que desce bem
ao som que vem do rádio
e que às vezes nem bem vem

Um brinde à noite que cai
é só termina no domingo
aos lençóis bagunçados
a quem ainda está dormindo

Um brinde ao último trago
que por vezes faz desmaiar
sem falar no estrago
de quem insiste em se amar

Um brinde às noites
mal planejadas de sábado
aos taxistas, cervejas e músicas
aos lençóis, gemidos e tragos

Um brinde à você
que apareceu meio do nada
bagunçou o meu domingo
e me deixou sentindo “o cara”.