original.

Se quer o meu original, comece pelos meus rascunhos. Aprenda a ler o meu traço, assimile os meus erros, não perca tanto tempo com a minha assinatura e preocupe-se em identificar as minhas marcas registradas.

Ser é aprendizado e eu estou a fim de ser o melhor. Ninguém chega à obra-prima sem detonar centenas de pincéis, sem perder noites em claro, nem sem jogar calhamaços de papel no lixo – e depois revirá-lo atrás de algo significante.

Acertar, errar, brilhar: tudo é subjetivo. Depende sempre de quem olha. Meu legado é de domínio público, mas tem de pertencer a alguém; então, que seja tua a minha obra.

Publicado em: às 26 de setembro de 2011 em 2:31 pm  Comentários (2)  

viver.

Se é pra viver, que seja com prazer. Rindo do que se pode e não pode, aproveitando cada segundo de folga, dormindo e acordando abraçados mesmo que em pensamento.

Se é pra viver, que seja com vontade. Dispensando a joelheira e o capacete, desarmando os escudos, baixando a guarda para lutar pelo amor leve e sem culpas.

Se é pra viver, que seja com alguém que lhe dá sentido em estar vivo. Falando com a alma, curtindo o som do silêncio e fazendo barulho no cinema só pra ser recriminado e abaixar rapidinho.

Se é pra viver, que seja com prazer, vontade e sentido.

Se é pra viver, que seja com você.

Publicado em: às 26 de setembro de 2011 em 2:30 pm  Comentários (1)  

rima.

Começando a rima sem rumo, rumei pra cima do muro. E sentindo-me o suprassumo, disse em discreto sussurro: “daqui não desço nem com um murro”.

Burro. Rolei a ladeira no escuro e, entre pedras e pulos, perdi de vez meu escudo. Puto, desnudo e quase surdo, só me restou rastejar no prelúdio de um prefácio obscuro.

Precisa rimar, precisa isso tudo? Mal comecei e já quero parar, porém-embora-contudo, mais vale o verso rimado que o proseado inseguro. É difícil, pesado e duro, mas, de todos e tudo, este foi o mais puro.

Publicado em: às 9 de setembro de 2011 em 6:23 pm  Comentários (1)  
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