hoje.

Hoje o seu sorriso veio me ver. Estava lindo, todo de branco e se abriu inteiro ao falar de você.

Alinhado que só ele, pediu licença ao entrar e encheu-se de ar para dar um bom dia. Respondi prontamente com um beijo, afinal lhe desejo – e o bom hálito matinal é sempre de grande valia.

Conforme o papo avançou, ele não desarmou, mas mostrou-se um pouco cansado. E ainda assim, ao puxar um bocejo sem fim, exibiu um lindo céu da boca estrelado.

Ao sair pela porta, cerrou-se de leve, mas manteve o contorno arqueado. E prometendo voltar, fez um contorno sagaz e saiu sorrindo de lado.

Publicado em: às 26 26UTC janeiro 26UTC 2012 em 10:46 pm  Deixe um comentário  

fim do mundo.

Pode ser que o mundo acabe amanhã
Pode ser também que ele nunca acabe
Pode até ser que ele já tenha acabado pela manhã
E pode ser que agora já seja tarde…

É que falaram tanto no apocalipse
Em 2012 e em eterno eclipse
Que eu pensei aqui, acuado:
Será que me enganei ou já fomos mesmo todos pro espaço?

Se fomos, não parece tão mal:
Porque até aqui está tudo igual
Agora, se não fomos, ainda dá tempo:
Corra, grite, cante, peça ela em casamento!

Afinal, se o mundo está mesmo acabando
Não vale a pena se preocupar com coisas pequenas
Mais vale o sorriso de quem se ama
Do que uma farra terrena.

Publicado em: às 26 26UTC janeiro 26UTC 2012 em 10:05 am  Comentários (1)  

tivéssemos.

Tivéssemos pensado melhor e aquela briga não aconteceria.
Tivéssemos agido com calma e aquela viagem sairia.
Tivéssemos acordado mais cedo e o trânsito não atrapalharia.
Tivéssemos conversado antes e aquela discussão cessaria.
Tivéssemos comido menos e a preguiça não chegaria.

Tivéssemos feito tudo isso e seríamos perfeitos.
Tivéssemos feito tudo isso e seríamos modelos.
Tivéssemos feito tudo isso e não seríamos o que somos de melhor: a gente mesmo.

Publicado em: às 2 02UTC janeiro 02UTC 2012 em 3:33 pm  Comentários (3)  

quem nunca?

Quem é que nunca contou
Até dez na brincadeira
Uma mentira pra mãe
Quantos são os chopes da saideira?

Quem é que nunca contou
Quantas são as conchinhas do mar
Quantas são as garrafas na mesa
Quantas garfadas faltavam para a sobremesa chegar?

Quem é que nunca contou
Dez segundos para o soluço parar
Os dedos dos pés e das mãos
Ovelhinhas para o sono chegar?

Quem é que nunca contou
As páginas da lição de casa
As horas perdidas no trânsito
As palavras ditas em hora errada?

Quem é que nunca contou
Uma desculpa esfarrapada para o chefe
Quantas são as estrelas do céu
As folhas faltantes do talão de cheque.

Quem nunca?

Publicado em: às 6 06UTC dezembro 06UTC 2011 em 8:02 am  Comentários (3)  

mandinga de amor.

Acendi três velas pra me livrar de você. E o máximo que consegui, abnegado, foi gritar, engasgado, o seu nome imaculado em meio àquele fumacê.

Ainda em busca de paz, comprei uma dúzia de caixas de incenso. Mas aquele cheiro gostoso que envolvia o meu quarto e o meu corpo, só me fez lembrar ainda mais o seu gosto e o seu beijo.

Até pra São Judas Tadeu apelei, pedindo que me libertasse desta causa impossível. E o que aconteceu, meu amor, foi dormir e sonhar com você, linda de morrer, abrindo um sorriso incrível.

Já tentei de tudo, confesso, mas devo ter jogado pedra na cruz. E para ser sincero, chega de lero, nem me lembro disso, quando ossos do ofício, vamos pro nosso ninho e apagamos felizes a luz.

Publicado em: às 23 23UTC novembro 23UTC 2011 em 3:32 pm  Deixe um comentário  

saudade.

Saudade não é dor. É manifestação de afeto, de carinho, de amor.

Saudade é aquele vazio que dá bem no meio do peito e que, inconscientemente, te faz pensar e repensar o que foi e deixou de ser feito.

Saudade é sentimento chato, forte e traiçoeiro. Mas, ao mesmo tempo, também é sentimento reconfortante, tenro, verdadeiro.

Saudade é palavra pequena com significado grande. É tomar um pisão de um rato e sentir o peso de um elefante.

Mas, saudade, por favor, não vá-se embora. Prefiro te ter como lembrança doída, do que não tê-la como quem não tem memória.

Publicado em: às 31 31UTC outubro 31UTC 2011 em 9:51 am  Comentários (2)  

eclipse de amor.

O dia fechou
A noite chegou
Mas a lua não veio

Quem foi que falou
Que pra ter um amor
Tem que ter lua no meio?

Nosso amor é tão raro
Caminha tão claro
Na escuridão

Que se fecha o tempo
Aguento o tormento
E abrigo a paixão

Mas para não desapontar
Quem apontou
O início da dor

Admiro atento
Sob o relento
Eclipse de amor.

Publicado em: às 6 06UTC outubro 06UTC 2011 em 10:13 am  Comentários (2)  

conhecidos.

Eu conheço a tristeza.
Ela é aquela senhora amarga, fraca e ranzinza, que sempre te faz duvidar da certeza.

Eu conheço a saudade.
É alta, vistosa, traiçoeira e adora te fazer sentir só na cidade.

Também conheço o rancor.
Senhor pálido, robusto e cruel, tem prazer com a dor.

Conheço a vergonha, a insônia, a inveja.
Aparecem quando não são chamadas e vibram quando a sua cabeça lateja.

Em compensação, não faz muito tempo, conheci o amor.
Lindo, gentil, de causar furor. E é ele quem eu levo comigo, todos os dias, para onde quer que for.

Publicado em: às 5 05UTC outubro 05UTC 2011 em 11:32 am  Comentários (1)  

original.

Se quer o meu original, comece pelos meus rascunhos. Aprenda a ler o meu traço, assimile os meus erros, não perca tanto tempo com a minha assinatura e preocupe-se em identificar as minhas marcas registradas.

Ser é aprendizado e eu estou a fim de ser o melhor. Ninguém chega à obra-prima sem detonar centenas de pincéis, sem perder noites em claro, nem sem jogar calhamaços de papel no lixo – e depois revirá-lo atrás de algo significante.

Acertar, errar, brilhar: tudo é subjetivo. Depende sempre de quem olha. Meu legado é de domínio público, mas tem de pertencer a alguém; então, que seja tua a minha obra.

Publicado em: às 26 26UTC setembro 26UTC 2011 em 2:31 pm  Comentários (2)  

viver.

Se é pra viver, que seja com prazer. Rindo do que se pode e não pode, aproveitando cada segundo de folga, dormindo e acordando abraçados mesmo que em pensamento.

Se é pra viver, que seja com vontade. Dispensando a joelheira e o capacete, desarmando os escudos, baixando a guarda para lutar pelo amor leve e sem culpas.

Se é pra viver, que seja com alguém que lhe dá sentido em estar vivo. Falando com a alma, curtindo o som do silêncio e fazendo barulho no cinema só pra ser recriminado e abaixar rapidinho.

Se é pra viver, que seja com prazer, vontade e sentido.

Se é pra viver, que seja com você.

Publicado em: às 26 26UTC setembro 26UTC 2011 em 2:30 pm  Comentários (1)  
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